Entre todos os pedidos de Benefício de Prestação Continuada (BPC), poucos geram tantas dúvidas quanto aqueles envolvendo crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Isso acontece porque muitos pais acreditam que basta apresentar o diagnóstico médico para ter direito ao benefício.
Na prática, não é assim.
O diagnóstico é um elemento importante, mas não garante automaticamente a concessão do BPC.
A legislação exige que a deficiência seja analisada em conjunto com as condições sociais e econômicas da família, por meio de uma avaliação biopsicossocial.
Em outras palavras, o INSS não avalia apenas o laudo médico. Ele busca compreender como o autismo interfere na vida da criança e de toda a família.
É justamente por isso que a avaliação social tem um papel tão relevante.
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) adotou um conceito moderno de deficiência, baseado na interação entre os impedimentos da pessoa e as barreiras existentes na sociedade.
Isso significa que duas crianças com o mesmo diagnóstico podem vivenciar realidades completamente diferentes.
Enquanto uma consegue frequentar a escola com autonomia e necessita de poucos apoios, outra pode depender integralmente da família para atividades básicas do cotidiano.
É essa realidade concreta que a assistente social procura compreender.
Embora cada caso seja único, durante a avaliação social alguns aspectos costumam ser analisados com bastante atenção.
A assistente social procura entender como é um dia comum.
Perguntas como estas são frequentes:
Essas informações ajudam a demonstrar o impacto funcional do autismo.
Outro ponto importante diz respeito aos tratamentos.
É comum serem analisadas questões como:
Também podem ser considerados:
Esse é um aspecto frequentemente subestimado.
Em muitos casos, a mãe precisa reduzir sua jornada de trabalho ou até abandonar completamente a profissão para acompanhar consultas, terapias, escola e cuidados permanentes.
Essa alteração na dinâmica familiar também demonstra o impacto social da deficiência.
Não tenha receio de explicar essa realidade.
Existem despesas que acabam comprometendo significativamente o orçamento familiar.
Por exemplo:
Esses gastos ajudam a demonstrar que, mesmo quando a renda aparentemente supera o limite legal, a família pode continuar vivendo em situação de vulnerabilidade.
Existe uma tendência natural de muitos pais responderem:
“Ele está bem.”
“Hoje está tranquilo.”
“A gente já acostumou.”
O problema é que essas respostas nem sempre revelam a realidade.
Quem convive diariamente com uma criança autista acaba normalizando dificuldades que, para outras famílias, seriam extremamente desafiadoras.
Durante a entrevista, explique o cotidiano de forma completa.
Fale sobre:
A avaliação social precisa retratar a rotina verdadeira da família.
Outro mito bastante comum é acreditar que possuir televisão, videogame, celular, computador ou uma residência organizada significa perder o benefício.
Isso não corresponde à realidade.
A assistente social não procura sinais de riqueza.
Ela procura compreender o contexto social.
Uma criança autista pode viver em uma casa limpa, organizada e cheia de amor, mas ainda assim enfrentar enormes barreiras para participar da sociedade em igualdade de condições.
É exatamente essa realidade que precisa ser demonstrada.

Ao final da avaliação, o que mais fortalece o pedido do benefício é a coerência.
Coerência entre:
Não existe necessidade de esconder objetos, modificar a casa ou criar situações que não correspondam ao cotidiano.
O melhor caminho sempre será demonstrar, com sinceridade, como o autismo impacta a vida da criança e de todos ao seu redor.
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