Direito de Família

Vicaricídio: quando a violência contra a mulher passa pelos filhos

Por Marta Jaqueline de Lima

⚖️ Vicaricídio: quando a violência contra a mulher passa pelos filhos, agora é crime hediondo

Existe uma dor que não aparece nos processos.
Mas destrói vidas.

É quando alguém não consegue mais atingir a mulher…
e decide feri-la através do que ela mais ama: seus filhos.

Isso tem nome.
E agora, finalmente, tem reconhecimento na lei.

💔 O que é o vicaricídio?

O vicaricídio acontece quando uma pessoa pratica violência contra o filho — inclusive chegando ao extremo de tirar sua vida — com o objetivo de causar sofrimento, punição ou controle sobre a mãe.

Não é um “ato isolado”.
Não é “desespero”.
Não é “briga de casal”.

👉 É uma forma extrema de violência de gênero.

A criança deixa de ser vista como sujeito de direitos e passa a ser usada como instrumento de vingança.

⚖️ O que mudou com a Lei nº 15.384/2026?

O Brasil deu um passo importante ao reconhecer expressamente essa forma de violência.

A Lei nº 15.384/2026 trouxe três mudanças fundamentais:

1. Inclusão da violência vicária na Lei Maria da Penha

Agora, a violência praticada contra filhos ou pessoas próximas com o objetivo de atingir a mulher é reconhecida como forma de violência doméstica.

👉 Ou seja: a mulher também é considerada vítima.

2. Criação do crime de vicaricídio no Código Penal

Foi incluído o art. 121-B no Código Penal, com pena de:

⛓️ 20 a 40 anos de reclusão

E a pena pode aumentar em situações ainda mais graves, como:

  • prática na presença da mãe
  • vítima criança, idosa ou com deficiência
  • descumprimento de medida protetiva

3. Inclusão como crime hediondo

O vicaricídio passou a integrar a Lei de Crimes Hediondos

👉 Isso significa:

  • regime mais rigoroso
  • menos possibilidades de benefícios penais
  • maior reprovação social e jurídica

🚨 Por que isso importa na prática?

Porque muitos casos não começam com o crime.

Eles começam com sinais.

  • ameaças envolvendo os filhos
  • manipulação emocional
  • tentativas de controle após o fim do relacionamento
  • histórico de violência doméstica ignorado

💡 E aqui está o ponto que muitos ainda não enxergam:

Quando há violência contra a mulher, a criança também está em risco.

👩‍⚖️ Impactos no Direito de Família

A nova lei não afeta apenas o Direito Penal.

Ela muda — e muito — a forma como devemos olhar para:

🔹 Guarda de filhos

O histórico de violência passa a ter peso ainda maior na definição da guarda.

👉 Não se trata de direito dos pais.
Trata-se de proteção da criança.

🔹 Convivência familiar

A convivência pode — e deve — ser revista quando há risco emocional ou físico.

🔹 Medidas protetivas

A proteção pode alcançar não apenas a mulher, mas também os filhos e pessoas do seu convívio.

🧠 O que o Direito finalmente reconheceu

Durante muito tempo, esse tipo de violência foi invisível.

Era tratado como “conflito familiar”.
Como “exagero”.
Como “disputa entre ex-casal”.

Mas não é.

👉 É violência direcionada.
👉 É violência consciente.
👉 É violência cruel.

E agora, o Direito brasileiro começa a dar nome e resposta a isso.

⚠️ Um alerta necessário

Se existem ameaças envolvendo seus filhos…
se há histórico de violência…
se você sente medo…

isso não deve ser ignorado.

Violência não começa no extremo.
Ela evolui.

E, quando envolve crianças, o risco é ainda maior.

🤍 Você não está sozinha

A lei evoluiu.
Mas a proteção começa com a informação.

Buscar orientação jurídica não é exagero.
É cuidado.

📌 Conclusão

O reconhecimento do vicaricídio como crime hediondo marca um avanço importante no enfrentamento da violência contra a mulher e na proteção das crianças.

Mais do que punir, a lei passa a nomear o que antes era invisível.

E isso, no Direito, muda tudo.

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